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Gasolinas comum, aditivada e Premium? Afinal, qual a diferença entre elas?

Publicado em 05/08/2022 por Marcellus Leitão

Ao parar no posto, a mesma história acontece: o frentista oferece os produtos disponíveis e o consumidor, porventura sem tempo para pensar, e levado pelo ímpeto de que o combustível mais caro seja o melhor para o seu veículo, faz uma escolha que, talvez, não se mostre a ideal. A situação, fictícia, diga-se de passagem, ilustra, além da pressa, a possível desinformação a respeito dos combustíveis que seu carro pode queimar.

No Brasil, basicamente, são oferecidos, além do etanol, diesel e GNV, dois tipos de gasolina: a standard, com octanagem mínima de 87 octanas, e 27% de mistura de etanol por lei, e a Premium, com octanagem 91 e 25% de mistura de etanol.

O poder antidetonante da octanagem

Octanagem é a unidade que mede a capacidade antidetonante da gasolina. Esse retardo na detonação é necessário para aproveitar melhor a energia do combustível e evitar as chamadas “batidas de pino”, que prejudicam o funcionamento e a durabilidade do motor.

Quanto maior a octanagem da gasolina, mais compressão é obtida, o que requer um motor preparado para esse tipo de cenário, geralmente encontrado em modelos mais esportivos, obtendo economia e rendimento otimizados. Mas atenção: seu carro é projetado para um tipo de gasolina e o uso da Premium pode não atingir objetivos palpáveis em rendimento e consumo, além, é claro, do gasto desnecessário do seu dinheiro.

A tal da taxa de compressão

Talvez você esteja cansado de ouvir sobre a tal taxa de compressão. Mas sabe o que ela significa? Essa é a taxa dada pelo número de vezes em que a mistura ar-combustível é comprimida pelo cilindro para o alto do motor. Quanto mais alta, mais “espremida” fica a mistura antes de vir a ignição e expulsar para baixo o cilindro com uma autêntica explosão.

Se observar as fichas técnicas dos carros, verá a taxa de compressão de vários, e perceberá que os propulsores a diesel têm os números mais elevados. Afinal, eles não usam velas, e sim a temperatura e a compressão para detonar o diesel. A taxa fica lá em cima. A mistura pode ser comprimida 22 vezes antes de explodir. Aí, a taxa de compressão é de 22:1.

Assim, motores de alto desempenho, normalmente em importados, têm taxas bem altas para acumular energia e expandir com grande potência e eficiência.

Já os motores flex trabalham com curvas de detonação programadas pela ignição. Quando há etanol no tanque, a taxa fica mais alta, por exemplo.

Tudo isso para explicar que o melhor mesmo é usar o que a engenharia do fabricante determinou para seu carro. No manual do proprietário, ou na internet, é fácil obter essa informação. Sendo assim, antes de abastecer com gasolina Premium, verifique se o seu veículo vai obter todo o potencial desse tipo de combustível!

E a gasolina aditivada?

Lembra-se que no início da matéria, eu citei dois tipos de gasolina? Pois bem: a comum, que recebe 27% de álcool anidro, aliás o seu antidetonante, pode ter ainda incorporados aditivos diversos para oferecer a limpeza interna do motor. Nasce, assim, a aditivada. São detergentes e dispersantes que atuam nos depósitos decorrentes da queima e os eliminam, oferecendo uma melhor performance de partes em contato com o combustível, como velas, bicos injetores, válvulas e câmara de combustão.

As distribuidoras guardam a sete chaves suas formulações, que oferecem também um aditivo redutor de fricção, responsável por lubrificar as paredes dos cilindros e anéis de segmento, promovendo discreta redução de ruído e consumo, além de elevar o desempenho. Vale muito a pena!

Todas essas ofertas de gasolina recebem corantes para diferenciar o seu tipo. Essas gasolinas podem ser usadas juntas ou separadas, sendo que as melhores características da aditivada vão ser sentidas após alguns tanques sem mistura.

Atenção ao escolher o posto

Independente se a gasolina é comum, aditivada, ou Premium, o mais importante de tudo ao abastecer é optar sempre por postos de marcas reconhecidas para não cair em golpes, como a bomba fraudada, a venda de gasolina adulterada e produtos misturados com solventes, e até mesmo metanol.

Outro cuidado importante é não cair na cilada do preço baixo, pois o barato pode sair bem caro. Já falei sobre os prejuízos causados pelo combustível adulterado no vídeo abaixo.

Assista: Combustível adulterado: quais prejuízos no seu carro?

E se você costuma sempre abastecer nos mesmos postos, saberá, com o uso da planilha de consumo criada pelo ICL, o gasto médio do seu veículo. Qualquer variação fora o habitual, é algo que deve se analisar bem.

Espero que tenha entendido a diferença entre as gasolinas oferecidos nos postos e caso desconfie que foi vítima de fraude, ligue para a Agência Nacional do Petróleo – ANP (0800-970-0267), ou para o Procon ou Inmetro de sua região. O site do ICL também possui uma seção voltada para facilitar a sua denúncia.

Um abraço e até a próxima!

Marcellus Leitão é jornalista especializado em automóveis, já tendo atuado em importantes veículos de imprensa

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