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Mais aderência, menor consumo: entenda como modernos pneus de sílica ajudam na economia de combustível

Publicado em 20/05/2022 por Marcellus Leitão

A regra dos tempos de combustíveis com altas variações de preço nas bombas é reduzir consumo, claro. Para isso, diminuir arrasto aerodinâmico, pesos do projeto e atritos diversos se transformou em lei no mundo automotivo. Entre os esforços em toda a cadeia produtiva do automóvel, um dos desenvolvimentos mais expressivos foi o pneu de baixa resistência ao rolamento, também conhecido como pneu verde.

Assista: Tecnologias para economia de combustível

A sílica, um dos componentes do vidro, tornou isso possível. Ao substituir o negro de fumo, derivado do petróleo, a sílica permitiu não só reduzir a pegada ambiental na produção dos pneumáticos, como também proporcionar menor consumo de combustível, algo em torno de 5%, o que corresponde ao desenvolvimento de um novo motor, bem mais eficiente.

Nos anos 90, tive a oportunidade de acompanhar de perto os primeiros passos deste feito notável a partir de protótipos da Michelin, em Clermond Ferrand, na França.

Em laboratório, ficava evidente que a sílica reduzia os atritos da banda de rodagem na reta e elevava a aderência nas curvas para garantir a dirigibilidade do veículo. No projeto, os pneus com sílica na composição deformam menos e geram menos calor que os tradicionais.

A deformação, medida em Hertz (Hz), é proporcionalmente maior conforme a velocidade do carro. Uma maior deformação e acúmulo de energia térmica relativizam, também, maior demanda de energia, portanto, mais combustível a ser consumido.

Um pneu em um veículo a 80 km/h, em linha reta, vibra a 10 Hz. Em rugosidades e pavimento irregular, pode atingir 10 mil Hz, gerando mais calor e mais consumo de energia. Como a sílica acompanha essa frequência, os pneus têm menor atrito na reta e maior aderência nas curvas e frenagens.

Pneus fabricados com nanotecnologia

A durabilidade do pneu também aumenta, com as mais novas tecnologias de produção, que envolvem nanotecnologia e compostos mais leves.

Dos anos 90 para cá, o pneu verde conseguiu ainda reduzir ruídos na cabine e preços de compra, ficando quase empatado com um pneu radial convencional.

Por isso tudo, considere o investimento que, a médio prazo, vai gerar uma considerável economia para o seu bolso. E não se esqueça: de nada adianta investir no pneu buscando melhor consumo e economizar na hora de abastecer, optando por postos que praticam preços bem abaixo do mercado. Confira algumas dicas para evitar fraudes no abastecimento e utilize sempre postos de confiança.

Atenção à calibragem, alinhamento e condições dos pneus 

Seja um pneu verde, ou convencional, há outros fatores que influenciam no consumo e na segurança do veículo. Apesar de não parecer, pneus com pouca pressão podem aumentar o consumo de combustível. Sendo assim, verifique e ajuste todos os meses a pressão dos pneus. Confira no manual, ou em algum local indicado no seu carro, a calibragem correta a ser feita.

Outro ponto também não menos importante diz respeito à manutenção periódica da direção. Verificar o alinhamento das rodas é um cuidado fundamental para proteger a vida dos passageiros e, de quebra, economizar combustível. E isso se deve ao fato de que rodas desalinhadas fazem o carro “se arrastar” pela estrada, diminuindo a vida útil dos pneus e aumentando a chance de um acidente.

Por isso, novamente, siga sempre as orientações do manual do proprietário para manter a geometria e o alinhamento em dia. Se perceber que o veículo está puxando mais para um lado, significa que chegou a hora de checar tais pontos em um local especializado.

Por último, apesar de parecer óbvio, é muito importante averiguar se os pneus estão aptos ao uso, garantindo, assim, a segurança do automóvel. Para isso, faça um check-in no estado geral do pneu, a começar pela verificação do TWI, sigla para Tread Wear Indicator, ou indicador de desgaste.

O TWI fica estampado nos ombros do pneu e demarca os ressaltos de borracha que ficam nos sulcos da banda de rodagem. Com 1,6 mm de altura, esses ressaltos, quando atingidos, indicam a hora da substituição. Ou seja, nesse ponto de desgaste, seu carro não vence mais as lâminas d’água, podendo aquaplanar, além do que não passa pela inspeção policial, ou do órgão de trânsito.

Como vimos, os pneus dos nossos adoráveis veículos são um universo à parte, e devem nossa atenção para que possamos prosseguir com mais segurança e, por que não, economia de combustível.

Até a próxima!

Marcellus Leitão é jornalista especializado em automóveis, já tendo atuado em importantes veículos da imprensa nacional.

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