PRF identifica irregularidades no uso de Arla 32 em veículos nas rodovias federais
Publicado em 28/04/2026 por Jean SouzaA Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou, em diferentes operações realizadas em 2026, casos de irregularidades no uso do Arla 32, substância obrigatória para o controle de emissões de gases poluentes em veículos a diesel.
As ocorrências envolvem contaminação do reagente e ausência total do produto, entre outras irregularidades, comprometendo o funcionamento dos sistemas antipoluentes.
Os casos mais recentes foram identificados no município de Porto Franco (MA), durante fiscalizações na BR-010 (Belém-Brasília). No dia 14 de março, dois ônibus foram flagrados com falhas no sistema de controle de emissões. Em um dos veículos, o reservatório de Arla 32 estava sem tampa e apresentava sinais de contaminação, posteriormente confirmados por teste químico. Já no segundo ônibus, os policiais constataram que o tanque estava vazio e que o sistema indicava mau funcionamento.
Pouco antes, em 9 de janeiro, também na BR-010, um caminhão foi abordado e apresentou irregularidades semelhantes. A fiscalização identificou Arla 32 contaminado, além de falhas no Sistema de Redução Catalítica Seletiva (SCR) e na luz indicadora de mau funcionamento, o que sugeria ineficiência no controle de poluentes.
Em todos os casos registrados este ano, a PRF lavrou autos de infração, determinou a regularização dos veículos e apontou indícios de crime ambiental, conforme previsto na Lei nº 9.605/1998. As ocorrências foram encaminhadas aos órgãos ambientais competentes para as providências cabíveis.
As irregularidades envolvendo o uso do Arla 32 também foram registradas no final de 2025. Entre os dias 20 e 21 de outubro, durante a XXXVI Operação Oteca, a PRF flagrou pelo menos cinco veículos circulando com Arla 32 adulterado nas BRs 174 e 319, em Manaus (AM). Testes realizados indicaram a presença de minerais na substância, em desacordo com as normas que exigem composição à base de ureia pura e água desmineralizada.
Além da adulteração do reagente, a operação identificou outras irregularidades, como abastecimento de combustível inadequado (uso de diesel S500 em veículos que exigem diesel S10), falhas nos sistemas de controle de emissões e problemas de documentação. Os veículos foram autuados e apreendidos, e os responsáveis passaram a responder por crime ambiental, com encaminhamento dos casos ao Ministério Público Estadual e ao Ibama.
O que é o Arla 32 e por que ele é essencial para o meio ambiente
O Arla 32 é um agente químico utilizado em veículos movidos a diesel equipados com o sistema SCR. Sua principal função é reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), gases altamente poluentes e prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente.
Esse reagente é composto por ureia de alta pureza e água desmineralizada, e seu uso é obrigatório no Brasil para veículos pesados fabricados a partir de 2012. Quando utilizado corretamente, transforma os gases poluentes em substâncias menos nocivas, como nitrogênio e vapor d’água.
A ausência, adulteração ou contaminação do produto compromete o funcionamento do sistema de controle de emissões, aumentando significativamente a poluição atmosférica.
O que diz a Polícia Rodoviária Federal sobre irregularidades no uso do Arla 32
De acordo com a PRF:
● veículos só podem circular se estiverem dentro dos padrões de controle de emissão de poluentes;
● o uso de Arla 32 adulterado ou a ausência do reagente pode caracterizar crime ambiental;
● os responsáveis podem ser enquadrados no artigo 54 da Lei nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais);
● as penalidades incluem multas, retenção do veículo, obrigação de regularização e comunicação aos órgãos ambientais.
Além disso, as ocorrências são frequentemente encaminhadas a órgãos como Ibama, secretarias estaduais de meio ambiente e Ministério Público.
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