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Caso de adulteração por solventes acende alerta para riscos ao consumidor e ao mercado de combustíveis

Publicado em 01/04/2026 por Jean Souza

A identificação de solventes na gasolina voltou a acender um sinal de alerta no setor de combustíveis no Brasil. Em fevereiro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apreendeu 2,2 milhões de litros de gasolina adulterada com solvente em tanques de um terminal de armazenagem de combustível em Paulínia (SP).

O combustível retido pela agência era de propriedade de seis distribuidoras, responsáveis por realizar a mistura de gasolina A com o etanol anidro para formar a gasolina C, vendida ao consumidor final. Normalmente, tais produtos ficam armazenados em bases próprias das distribuidoras ou em tancagens de terceiros, como no caso em questão.

A utilização de solventes para fraudar combustíveis, que por muito tempo esteve associada a esquemas de adulteração, reaparece como um desafio importante para a fiscalização.

De acordo com a ANP, análises laboratoriais confirmaram a presença de um marcador específico, o que comprova a adulteração por adição de solvente. Os resultados constam nos relatórios técnicos IPT-SP/FC00066/2026 e IPT-SP/FC00067/2026.

A agência explica que, como as características físico-químicas dos solventes são semelhantes às da gasolina, é obrigatória a adição de um marcador químico nesses produtos. Esse procedimento permite identificar, em laboratório, quando há uso irregular de solventes na composição do combustível. O detalhamento completo da composição química ainda está em avaliação.

Risco ao consumidor e ao veículo

A adulteração por solventes não é apenas uma fraude econômica, ela também representa riscos concretos. Segundo a ANP, a presença desses produtos pode afetar diretamente o desempenho e a segurança dos veículos.

A agência afirma que “a presença de solvente na gasolina pode acarretar risco à saúde do consumidor e para o veículo, podendo ocasionar perda de potência do motor, aumento de consumo, além do ressecamento e corrosão acelerada dos componentes plásticos e degradação de borrachas e vedações do motor do veículo”.

A ANP lembra, ainda, que “solventes adicionados à gasolina podem afetar sua volatilidade, aumentando riscos de incêndio e causando aumento de emissões de gases poluentes e particulados ao meio ambiente”.

Metanol dentro do limite

As análises também avaliaram a presença de compostos oxigenados não autorizados, como o metanol. Nesse caso, os laudos indicaram um teor de 0,1% em volume, dentro do limite permitido pela Resolução ANP nº 807/2020, que estabelece o máximo de 0,5%.

Embora esse resultado esteja em conformidade, a detecção de solventes reforça a necessidade de atenção contínua às práticas ilegais no setor.

Limitação na rastreabilidade de agentes contaminantes é desafio para o setor

A ANP informou que investiga a origem dos contaminantes identificados. “De forma estrutural, a ANP entende que acesso aos documentos fiscais eletrônicos e acesso a bases de dados de outros órgãos permitiriam maior rastreabilidade dos produtos regulados transportados pelo país. O acesso a esses dados está sendo buscado nas vias legislativas (por meio de projetos de lei), regulatórias e por acordos de cooperação técnica”, afirma a agência.

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