Bombas antifraude: presidente do IPEM-SP destaca importância das novas tecnologias para combate a golpes na hora de abastecer
Publicado em 26/02/2026 por Alessandra de PaulaEm entrevista ao site do Instituto Combustível Legal (ICL), Marcos Heleno Guerson, presidente do IPEM-SP, detalha como a tecnologia vem ajudando o órgão no combate às fraudes, em especial as que envolvem golpes volumétricos, quando menos combustível é fornecido durante o abastecimento.
Um dos destaques, aponta Guerson, é a criação de uma plataforma online que permite ao consumidor localizar postos que já adotaram bombas com tecnologia antifraude, tornando o abastecimento mais seguro e dificultando a vida dos fraudadores.
Além do combate a fraudes eletrônicas sofisticadas, por meio de treinamento especializado e investimento em novas tecnologias, o órgão vem trabalhando para a modernização do parque de bombas medidoras do Estado de São Paulo. “Estamos avançando de forma consistente”, ressaltou. Confira, a seguir, entrevista completa:
Instituto Combustível Legal: Em 2025, o IPEM-SP lançou um sistema inovador para ajudar o consumidor a localizar postos com bombas antifraudes. Como tem sido o desempenho dessa plataforma?
Marcos Heleno Guerson: O sistema tem apresentado resultados muito positivos. Ele amplia a transparência e coloca o consumidor como protagonista, permitindo que escolha abastecer em estabelecimentos que investem em tecnologia antifraude. O retorno do público tem sido crescente, tanto em acessos quanto em manifestações de apoio. Trata-se de uma iniciativa que pode, sim, inspirar outros estados, porque combina tecnologia e informação como ferramentas de combate a fraudes.
Instituto Combustível Legal: Existe um cronograma para que São Paulo tenha um parque de bombas 100% à prova de manipulação digital?
Marcos Heleno Guerson: Estamos avançando de forma consistente na modernização do parque de bombas medidoras. Não é possível estabelecer uma data imediata para 100% de cobertura, mas o Estado de São Paulo já está na vanguarda nacional na divulgação da localização das bombas medidoras de combustíveis, consideradas mais seguras no abastecimento, com sistema criptografado.
Instituto Combustível Legal: Não seria indicado proibir a fabricação de bombas que podem ser violadas?
Marcos Heleno Guerson: A regulamentação técnica é competência do Inmetro em âmbito nacional. O que defendemos é o aprimoramento contínuo dos requisitos de segurança, tornando cada vez mais difícil qualquer tipo de manipulação. O importante é que os novos modelos já incorporam camadas robustas de proteção contra fraudes.
Instituto Combustível Legal: Com o avanço dos veículos elétricos e híbridos, o IPEM já está desenvolvendo protocolos para fiscalizar carregadores públicos?
Marcos Heleno Guerson: Sim. A transição energética exige atualização regulatória e técnica. Estamos nos preparando tecnicamente para essa nova realidade.
Instituto Combustível Legal: Que balanço o senhor faz sobre as fraudes no setor em 2025?
Marcos Heleno Guerson: As fraudes continuam sendo combatidas com rigor pelo Ipem-SP, somos referência no país. Observamos que houve sofisticação dos métodos, principalmente com dispositivos eletrônicos ocultos. No entanto, também ampliamos nossa capacidade de detecção. As irregularidades mais comuns envolvem manipulação eletrônica da placa da bomba e adulterações metrológicas. Não identificamos aumento proporcional de fraudes, mas, sim, maior complexidade nos casos detectados.
Instituto Combustível Legal: Como o IPEM-SP tem atualizado seu corpo técnico para enfrentar fraudes sofisticadas?
Marcos Heleno Guerson: Investimos fortemente em capacitação, inteligência fiscalizatória e no uso de tecnologia. Nossos agentes passam por treinamentos contínuos para identificar dispositivos quase que invisíveis e alterações de software. Além disso, atuamos de forma integrada com órgãos de fiscalização, como a ANP, dos quais somos parceiros, e utilizamos análise técnica aprofundada nos equipamentos suspeitos.
Instituto Combustível Legal: O que mudou no protocolo após a operação Carbono Oculto?
Marcos Heleno Guerson: A operação evidenciou a necessidade de intensificar cruzamento de informações e perícias especializadas. Aperfeiçoamos protocolos de inspeção, ampliamos testes em campo e fortalecemos a cooperação com a Secretaria da Fazenda, ANP e forças policiais. Hoje, a fiscalização é mais técnica, mais integrada e mais estratégica.
Instituto Combustível Legal: Com mais de 14 mil postos autuados, a legislação é branda?
Marcos Heleno Guerson: A legislação prevê multas significativas e outras sanções administrativas. No entanto, defendemos constante avaliação do arcabouço legal para garantir que as penalidades tenham efeito pedagógico e dissuasório. Quando há indícios de crime, o caso é encaminhado às autoridades competentes.
Instituto Combustível Legal: Como é a colaboração com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e outros órgãos?
Marcos Heleno Guerson: A atuação é integrada. O Ipem-SP realiza a fiscalização administrativa e técnica, enquanto o GAECO e as forças policiais atuam na esfera criminal. Essa cooperação é essencial para responsabilizar não apenas o operador, mas os mentores intelectuais e eventuais organizações envolvidas.
Instituto Combustível Legal: A que o consumidor deve observar no momento do abastecimento?
Marcos Heleno Guerson: Além de verificar o selo do Inmetro [na bomba], o consumidor deve conferir se o visor inicia zerado antes do abastecimento e acompanhar o volume e o valor durante todo o processo. Qualquer comportamento incomum, como interrupções, ou variações abruptas, deve gerar atenção e pode ser denunciado ao Ipem-SP por meio da nossa ouvidoria.
Instituto Combustível Legal: É importante denunciar? Como fazer?
Marcos Heleno Guerson: É fundamental. A denúncia é uma ferramenta poderosa de combate à fraude. O consumidor pode registrar manifestação pela Ouvidoria do Ipem-SP, pelo site oficial ou pelos canais telefônicos. O sigilo é garantido.
Instituto Combustível Legal: O senhor defende divulgação ostensiva para reincidentes?
Marcos Heleno Guerson: A transparência é um instrumento importante da vigilância de mercado. Sempre que possível, e dentro dos limites legais, defendemos medidas que ampliem a informação ao cidadão e inibam a reincidência.
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