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Motor

Da terra aos céus, como os combustíveis evoluíram, se tornando mais limpos e eficientes

Publicado em 09/04/2021 por Marcellus Leitão

Hidrocarboneto. Essa palavra comprida, que significa a união feliz entre os átomos de carbono e hidrogênio, viabilizou a existência de combustíveis que movem o planeta há mais de um século. Do petróleo bruto, oleoso e espesso, nasceu um processo de refino por craqueamento (do inglês crack, que quer dizer quebrar) e, assim, um líquido leve, volátil e eficiente, que veio para iluminar as cidades no lugar do óleo de baleia.

O querosene foi o primeiro passo para estimular a invenção que veio depois: o motor à explosão interna, à gasolina. Quando Nikolaus August Otto inventou o motor como conhecemos – sim, ele permanece basicamente o mesmo, com somente mudanças periféricas -, a gasolina entrou como uma luva nos planos da mobilidade de Karl Benz, considerado o inventor do automóvel. Confira como a indústria automotiva se reinventou em mais de cem anos.

A partir de então, vieram os saltos da tecnologia que levaram a mobilidade a caminhos intermináveis. Com a evolução dos motores, na busca principalmente da eficiência, os combustíveis tiveram que evoluir também. Desde então, a busca constante pelo aperfeiçoamento definiu várias gasolinas. O refino estabeleceu octanagens adequadas à concepção de motores e finalidades. As determinações oficiais, em cada país, definem a octanagem, que é a capacidade da gasolina retardar a detonação no interior do motor e assim tornar a queima, e a energia convertida em força, bem mais eficiente.

Uma gasolina mais limpa e com aditivos

 Outro recurso para este mesmo retardo da detonação no interior dos cilindros foi a descoberta do chumbo tetraetila. Esse chumbo, poluente e cancerígeno, foi gradativamente substituído pelo álcool anidro, que atinge as mesmas determinações.

A gasolina conseguiu reduzir o nível de enxofre, por meio de um refino mais elaborado, e passou a receber aditivos, como detergentes e dispersantes, para não levar o motor a danos indesejáveis. Os detergentes mantêm a câmara, válvulas e sedes de válvulas limpas. Essa foi a etapa da gasolina aditivada, que ganhou o mercado com alta tecnologia e resultados comprovados.

Mas você pensa que a operação de abastecer um veículo sempre foi simples, como hoje. Não foi, não! Os consumidores precisavam adquirir barris com 200 litros de combustível, que eram colocados no tanque através de um funil. De lá para cá, muita coisa mudou e a gasolina passou a abastecer não somente os carros, mas também outras máquinas maravilhosas que falarei a seguir.

Para o alto e avante

Vamos, então, decolar com a gasolina. Essa, mais do que especial, é a AVGas, a gasolina dos aviões com motores a pistão, ou do tipo rotativo Wankel. Com alta octanagem – até 100 octanas -, evapora rápido e é extremamente inflamável.

Ela tem alta octanagem, pois carrega em sua fórmula um composto chamado tetraetil chumbo, extremamente tóxico a cancerígeno. Este composto tem uso limitado no mundo hoje, mas garante o retardo da ignição ao ponto de gerar muito mais potência e confiabilidade ao funcionamento do motor aeronáutico.

‘Alimento’ dos famintos motores a jato

Ainda pelos céus, se queima o QAV, o querosene de aviação, muito mais estável termicamente do que a AVGas. Ele abastece motores à turbina jato puro, turbo hélices, ou turbo fans, que movimentam aviões e helicópteros. Outra vantagem é a necessidade de manutenção mais espaçada, que reduz custos para empresas e proprietários. Com padrões definidos internacionalmente, o QAV é monitorado constantemente e oferece ótima performance a motores de grande demanda de potência.

VÍDEO: Sabe como os grandes aviões são abastecidos? Confira no vídeo abaixo:

O diesel nos ares, nos mares e nas estradas

Você conhece o diesel, é claro. Este combustível equipa grandes motores que demandam potência e torque. Ele está em locomotivas, tratores, ônibus, caminhões e até… aviões. Por incrível que pareça, existem aeronaves a diesel com ótimas prestações de durabilidade e economia, como o Cessna Turbo Skyhawk JT-A. Este modelo é até 38% mais econômico do que seu congênere à gasolina AVGas.

Mas vamos pousar para explicar esse fantástico combustível chamado diesel. Também conhecido como gasóleo, o diesel é um óleo derivado do petróleo bruto, constituído, basicamente, por hidrocarbonetos. Com preço médio menor do que a gasolina, o diesel atrai o consumo e consegue grandes demandas em máquinas de força e também para o uso náutico.

Uma característica marcante deste combustível é a ignição por alta compressão e temperatura. Os motores a diesel, uma invenção de Rudolf Diesel, em 1897, não necessitam de centelha para que ocorra a explosão da mistura ar-combustível. Desde o início da sua trajetória, o diesel evoluiu muito, com a redução da emissão de particulados, notadamente o enxofre. Hoje, há o diesel S10, com dez partes por milhão de enxofre, embora ainda esteja no mercado o diesel S50 e S500, para máquinas de concepção mais antiga.

VÍDEO: Do S1800 ao S10: conheça a história da evolução do diesel

Espero que tenha gostado do pouco da história de alguns de nossos importantes combustíveis e de como sua evolução permitiu, também, o avanço de nossa sociedade. E mais uma vez, deixo aqui o recado: ao abastecer, procure sempre postos de sua confiança.

Até a próxima!

Marcellus Leitão é jornalista especializado em automóveis, já tendo passado por importantes veículos da imprensa nacional.