fbpx Carro com dez anos de uso: confira checklist para fazer seu veículo consumir menos combustível - Instituto Combustível Legal
Motor

Carro com dez anos de uso: confira checklist para fazer seu veículo consumir menos combustível

Publicado em 03/06/2022 por Marcellus Leitão

“Quer andar de carro velho, amor? Então venha, pois eu sei que andar a pé, amor, é lenha….!”. A estrofe da velha música da Ivete Sangalo, que animou alguns carnavais do passado, tem muito a ver com um tema importante a ser conversado entre donos de veículos cuja idade já pesa nos “ombros”. Afinal, carros com mais de dez anos de fabricação, como fazê-lo funcionar bem e economizar no consumo, principalmente quando o preço dos combustíveis anda oscilando tanto nas bombas?

É bom lembrar que qualquer máquina deve ser bem conservada, tanto que existe uma velha máxima na indústria aeronáutica: “não existe avião velho, existe avião mal mantido”. Podemos aplicar este mesmo conceito ao mundo dos automóveis, pois, de fato, também não existe carro velho, existe carro mal mantido.

Isso se deve ao fato de que donos negligentes com relação aos cuidados básicos de seus veículos, ou que não têm critérios mínimos de manutenção preventiva, correm o sério risco de colocarem seus automóveis, ainda mais se forem veteranos, em estado crítico. Em muitos casos, dependendo do desleixo, fica complicado recuperá-los e manter um custo razoável de uso por quilômetro rodado. E o pior, a segurança pode ficar em risco.

Atenção à manutenção básica

Então, coloque uma coisa em mente: o seu carro, desde cedo, merece atenção, e isso inclui seguir, ao menos, uma receita básica de manutenção. Não me refiro, inicialmente, a serviços específicos de mecânica, que com o tempo serão necessários, certamente, mas sim a alguns pontos importantes, como verificar o óleo do motor, fluidos e filtros; correias e mangueiras; além dos pneus, é claro. Soma-se a isso, a atenção constante que devemos ter a ruídos estranhos, com o reaperto de parafusos, ou troca de certas peças, principalmente suspensão. Essa é apenas parte do segredo para ter um carro econômico depois de dez anos e explico o porquê a seguir.

Não subestime a troca de óleo

Há dois parâmetros para a troca de óleo: tempo, ou quilometragem, o que vier primeiro. Para saber exatamente esses prazos, consulte o manual do seu veículo. Entretanto, observe que o lubrificante, em uso severo, deve ser substituído mais cedo. Pouca gente sabe, mas uso severo é a utilização do veículo em cidades, principalmente em curtas distâncias, ou em estradas de terra. Os táxis, por exemplo, devem fazer as trocas de óleo e filtros na metade do tempo do que é recomendado pelo manual.

Apesar de não parecer, o lubrificante contribui para que o carro consuma menos combustível, mesmo os mais antigos. Me refiro aqui, na verdade, ao uso do óleo correto. Para isso, consulte novamente o manual do seu veículo para se informar quanto ao grau de viscosidade SAE e ao nível de desempenho do lubrificante específico para o motor.

Vamos a um ponto importante e a uma explicação: optar por um óleo com a viscosidade correta, especificada pelo manual, permite que as peças do motor tenham menor atrito entre si e, consequentemente, menor desgaste. Com o motor rodando suave, como projetado pelo fabricante, há, sim, menor consumo. Confira sempre o nível do óleo do motor pela manhã. Aliás, de manhã cedo, é melhor para tudo: calibrar os pneus e até abastecer, quando a dilatação pelo calor ainda não atingiu os reservatórios dos postos. Você acaba colocando mais combustível pelo mesmo preço. Confira dez erros que aumentam o consumo de combustível.

O manual é o seu melhor amigo

O manual do seu veículo não deve ser deixado de lado, muito pelo contrário. Ele é a enciclopédia do seu veículo, com todas as informações técnicas de uso e manutenção. Não importa a idade do carro: o manual do proprietário orienta o momento das manutenções básicas e também das mais pesadas, aos 60, 80 mil quilômetros, e além. Caso não tenha o manual, busque na internet. Essa manutenção prevista pela engenharia é uma rotina importante que certamente mantém, ao longo do tempo, o custo do carro por quilômetro rodado e reduz o consumo de combustível.

Não esqueça do filtro de ar

Além do combustível, é preciso mais um elemento para que ocorra a combustão interna do motor. Acertou quem pensou no ar. Sim, a velha e boa combustão dos motores nada mais é do que a reação entre combustível e comburente, nesse caso o oxigênio. Visto isso, já percebeu a importância do filtro de ar para o bom funcionamento e consumo do veículo.

Sendo assim, um filtro sujo pode impedir o fornecimento de ar necessário à mistura, o que pode causar perda de rendimento e de potência do carro e, consequentemente, maior consumo de combustível. O ideal é, novamente, consultar o manual para ver o prazo de troca dessa peça, que pode ser entre 10 mil e 15 mil quilômetros. Entretanto, em caso de uso severo frequente do carro, como em estradas de terra, por exemplo, é recomendada a troca antecipada. Saiba mais sobre manutenção do filtro de ar!

Alinhamento e suspensão

Aqui entra uma questão de segurança, e que também afeta o consumo. Um carro com dez anos precisa passar por uma revisão de suspensão criteriosa para verificar a saúde das buchas, molas e amortecedores. Isso influencia diretamente na estabilidade e dirigibilidade do veículo, ainda mais em velocidades mais altas. Mais uma vez, o manual indica a revisão e troca dessas peças.

O alinhamento é outro item fundamental a se verificar. Caso não saiba, o desalinhamento da direção faz o carro “se arrastar”, reduzindo a vida útil dos pneus e aumentando a chance de um acidente, além do que há maior consumo de combustível. O manual traz orientações sobre a geometria e alinhamento correto. Contudo, caso perceba que o veículo está puxando para um dos lados, uma oficina especializada pode executar o serviço de checagem da direção. Aproveite também para verificar os rolamentos.

Checklist básico de revisão e troca de peças

A seguir, separei uma lista de peças e componentes a qual você deve ficar atento caso possua um veículo com dez anos (lembrando que, dependendo das condições de uso, ela serve para automóveis de qualquer idade). Anote em um caderno a data da troca e o período para reposição dos itens abaixo, lembrando de consultar sempre o manual para isso:

Filtros diversos

Há diferentes tipos de filtros em nosso carro: de óleo, de ar, de combustível e também do ar-condicionado, que não é menos importante, já que influencia diretamente na qualidade do ar na cabine.

Velas e cabos

As velas e os cabos fazem parte do conjunto de componentes que atuam na combustão do motor. Se essas peças estiverem desgastadas, podem afetar de forma significativa o consumo.

Correias

Não queira que o motor do seu carro quebre devido ao rompimento da correia dentada, por exemplo. Se isso acontecer com o veículo em movimento, prepare-se, pois o custo de reparo é bem alto. Além da correia dentada, verifique a do alternador, do compressor do ar-condicionado e da polia da bomba d’água. Muitas vezes, a correia não mostra o seu verdadeiro desgaste. Sendo assim, prevenir é o melhor remédio.

Sistema de arrefecimento

Todo carro tem uma temperatura ideal de trabalho. Para que isso se mantenha, a saúde do sistema de arrefecimento deve estar em dia. Faça um bom checkup nas mangueiras, bomba d’água e, é claro, no radiador. Não esqueça, também, da válvula termostática, que costuma travar em casos de falta de manutenção.

Sistemas de segurança

Aqui, segue o básico. Confira a saúde dos freios, verificando o desgaste de disco e pastilhas. Não esqueça a suspensão, incluindo buchas, molas e amortecedores, conforme falamos aqui, além dos rolamentos das rodas. Outros itens não menos importantes: luzes de sinalização, limpador de para-brisa e pneus.

Utilize combustível de qualidade

Independente da idade do seu carro, além de seguir todas as orientações de manutenção que listamos aqui, é importante que você utilize combustível de qualidade, de preferência de postos que são da sua confiança, que garantam a procedência do produto. Infelizmente, há diferentes tipos de adulteração de combustíveis praticados no mercado e um deles é adicionar na gasolina comum mais etanol do que os 27% permitido por lei. Soma-se a isso outras fraudes, como a mistura de produtos, incluindo solventes, ou metanol, que, além de fazer o seu carro consumir mais, podem danificá-lo seriamente. Dessa maneira, fuja de promoções mirabolantes e, novamente, sempre abasteça em postos de confiança.

Até a próxima!

Marcellus Leitão é jornalista especializado em automóveis, já tendo atuado em importantes veículos da imprensa nacional.

Leia também: