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Frente aos carros elétricos e híbridos, tecnologia dos motores a combustão se reinventa para conquistar consumidor

Publicado em 30/07/2021 por Marcellus Leitão

A revolução da mobilidade começou há mais de um século. Os animais de tração foram substituídos pelo movimento rotativo dos motores a combustão interna. Muitas décadas e avanços depois, essa revolução ganhou mais velocidade no momento em que a produção de veículos foi acossada pelas questões geopolíticas e ambientais, que geraram guerras e saltos econômicos mundiais.

Mas a busca pela mobilidade não para, e as fabricantes de veículos, sob pressão dos consumidores, passaram a buscar novas alternativas mais sustentáveis e econômicas. Essas opções tecnológicas foram abrindo um leque inédito de propulsores a eletricidade, híbridos (gasolina/elétricos) e até conversores catalíticos de hidrogênio.

No meio do furacão de novidades, que ainda perdura, está no meio disso tudo o velho e conhecido motor a combustão interna, que se viu forçado a evoluir a passos largos, buscando iniciativas pontuais e eficientes.

A necessidade faz o sapo pular

Por conta da nova realidade, as montadoras de carros com motores a combustão e os sistemistas, que entregam partes e conjuntos, foram guindados à busca de soluções. Eles começaram pela redução do tamanho dos propulsores e das massas do veículo como um todo. A diminuição dos motores foi batizada como “downsizing”, que quer dizer exatamente isso. Essa redução foi seguida de busca obsessiva de diminuição de pesos e atritos dos componentes internos.

Os motores passaram a ter comandos de válvulas variável, que otimizam a queima mais eficiente do combustível e a usar ligas leves de alumínio. Assim, só para contextualizar essa evolução, o motor de um Opala Comodoro de quatro cilindros, que gerava 88 cavalos vapor para deslocar 1.220 quilos de massa, consumia um litro de gasolina para percorrer apenas 5,3 quilômetros em área urbana.

Tecnologias para economia de combustível, por Marcellus Leitão

Vindo para os dias de hoje, um Fiat Argo, de 1.105 quilos, usa motor 1.0 de três cilindros e chega perto dos 13 quilômetros por litro na cidade. Com seus componentes de baixa inércia, como alternador sob demanda, direção elétrica, óleos finos especiais, pneus de baixo resistência ao rolamento, apresenta um desempenho e o consumo parecidos com o de algumas motocicletas.

Tubocompressor: a cereja do bolo

Estava dada a largada e a tecnologia ainda ofereceu a cereja do bolo: o turbocompressor.

Pequenos, leves e muito eficientes, esses turbos passaram a equipar até modelos de entrada e oferecer desempenho e consumo impensáveis. O motor de um Golf TSI, por exemplo, tem um palmo de comprimento, ou pouco mais de 20 centímetros. E anda muito. E aquele Argo, que citei, vai ganhar um motor 1.0 turbo de 220 cv de potência máxima.

Ótima relação peso/potência.

Motor aspirado ou turbo? Afinal, qual rende mais?

A sobrevida da propulsão a combustão interna vem sendo garantida pelas novas tecnologias, que surgem sob a pressão de consumidores mais esclarecidos a respeito das questões climáticas. Entretanto, diferente de outros mercados economicamente mais fortes, como o europeu, o japonês e o americano, que tendem a alternativas elétricas, o resto do mundo segue na maré do baixo custo. Ou seja, carros menores, mais leves e com motores a combustão interna mais eficientes.

Este último é o nosso caso, pois com a elevada carga tributária sobre bens de consumo, os carros por aqui são muito caros. Recentemente, a Chevrolet apresentou o elétrico Bolt, um compacto que custa R$ 280 mil, valor bem distante da realidade da maioria dos brasileiros. Assim, a preferência óbvia passou para os novos modelos turbo com propulsores pequenos, oferecendo a alternativa flexível. A boa notícia é que esses veículos perderam a pecha de esportivos, o que encareceria os custos de seguros.

E você? O que pretende dirigir no futuro?

Até a próxima!

Marcellus Leitão é jornalista especializado em automóveis, já tendo passado por importantes veículos da imprensa nacional.

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