Durante evento do Brazil Journal, Presidente do ICL defende ‘luz sobre o crime’ e ação conjunta para combater mercado irregular de combustíveis
Publicado em 08/10/2025 por Jean SouzaO presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), Emerson Kapaz, foi um dos participantes do Follow the Money, evento organizado pelo Brazil Journal, no dia 1º de outubro, em São Paulo, e que reuniu autoridades e especialistas para discutir como as facções criminosas avançam sobre a economia formal, bem como detê-las.
Em um dos painéis, Kapaz fez um chamado à mobilização conjunta entre poder público, setor privado e sociedade civil para romper o ciclo de financiamento das quadrilhas que agem no setor de combustíveis.
“Ou a gente ilumina onde eles atuam, mostra o que está acontecendo em cada setor, ou não vai mudar. Para eles, a melhor coisa é a escuridão. A luz vem através da imprensa, da comunicação e da articulação entre os setores”, afirmou Kapaz, ao conclamar a continuidade da ação coordenada que levou à recente Operação Carbono Oculto.
O evento
O Follow the Money contou com três painéis que debateram soluções para conter o avanço das facções sobre negócios formais. Entre os palestrantes, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, governadores dos estados de Goiás e de Minas Gerais, respectivamente, relataram medidas adotadas em suas gestões para conter o crime. Participaram, ainda, parlamentares, integrantes do sistema de justiça e executivos.
Ao representar o ICL, Kapaz reforçou que enfrentar o crime organizado exige articulação consistente entre órgãos públicos, iniciativa privada e organizações da sociedade civil. Ele lembrou que o Instituto vem insistindo no tema e que “não há alternativa senão se posicionar publicamente”, porque “onde o crime organizado atua não tem luz”.
Carbono Oculto: escala inédita e efeito prático
Kapaz classificou a Operação Carbono Oculto como um marco histórico no combate à lavagem de dinheiro e às fraudes em combustíveis. “Não tem na história do Brasil uma operação com esta dimensão”, disse, ao detalhar que a investigação revelou o uso de fintechs e “contas bolsão” para movimentações bilionárias com conversão em criptoativos. “Foram identificados R$ 42 bilhões, de 2020 a 2024, transacionados nas chamadas ‘contas bolsão’. Era um verdadeiro paraíso fiscal dentro do país”, afirmou.
Segundo o presidente do ICL, o resultado só foi possível graças ao trabalho integrado do Ministério da Fazenda, do Ministério de Minas e Energia, do Ministério Público de São Paulo, das Procuradorias-Gerais dos Estados e das Secretarias de Fazenda: “A vitória da Carbono Oculto é uma vitória importante de um trabalho de articulação e integração”, comemorou.
Regulação e fiscalização: onde avançar
Em sua fala, Kapaz citou a necessidade de fortalecer a fiscalização e lembrou que o comércio ilegal (contrabando, falsificação e pirataria) já movimenta cifras de centenas de bilhões por ano no Brasil. Ele também chamou atenção para a precarização orçamentária de órgãos de controle e fiscalização, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e para a importância de manter verificações de qualidade de combustíveis de forma contínua.
Tributação: o que já mudou e o que falta
Kapaz pontuou as conquistas recentes apoiadas pelo ICL: a monofasia do diesel e da gasolina, que reduziu de forma sensível a sonegação no segmento. “Hoje, a Fundação Getúlio Vargas estima em torno de R$ 14 bilhões ao ano a sonegação no setor; esse número diminuiu nos últimos dois a três anos com a monofasia”, destacou.
Ele alertou, porém, para a migração do crime organizado para o comércio de etanol: “Nós alertávamos que migrariam para o etanol. E o que aconteceu? Dezesseis usinas apareceram na Carbono Oculto na mão do crime organizado. O problema cresceu nesse segmento”, alertou.
Segundo Kapaz, há conversas avançadas com a representação do setor sucroenergético para viabilizar a monofasia do ICMS do etanol, com a expectativa de encaminhamento ainda neste semestre pelos parlamentares, para entrar em vigor em janeiro do próximo ano.
Outro ponto de grande relevância abordado durante o encontro foi com relação à necessidade urgente de ser pautado e aprovado, na Câmara, o projeto de lei que combate o devedor contumaz (PLP 125/2022). A lei possibilitará caracterizar e tipificar empresários e empresas que se utilizam de artifícios para não pagarem seus tributos, prejudicando a arrecadação federal e estadual, desviando recursos que poderiam ser aplicados em melhoria na Saúde, Educação e Segurança Pública.
Confira a íntegra do painel:
https://braziljournal.com/play/follow-the-money-mobilizacao-da-certo-diz-emerson-kapaz/
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