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Segundo estimativas do ICL, integração público-privada retirou cerca de 10 bilhões de litros da ilegalidade no mercado de combustíveis

Publicado em 28/08/2026 por Alessandra de Paula

O avanço do mercado ilegal no setor de combustíveis deixou de ser apenas uma disputa comercial ou uma questão de fiscalização tributária para se tornar uma grave ameaça à segurança pública e ao desenvolvimento do Brasil, mas esse cenário está mudando. Essa foi a tônica da avaliação feita por Emerson Kapaz, presidente do Instituto Combustível Legal (ICL), durante o seminário Mercado Ilegal, promovido na quinta-feira (27), em Brasília, pelo O Globo, Valor Econômico e Extra, além da rádio CBN.

No encontro, Kapaz apresentou um dado importante: a integração entre poder público, órgãos de fiscalização e iniciativa privada já teria deslocado aproximadamente 10 bilhões de litros do mercado ilegal para o mercado formal. Para o presidente do ICL, os resultados mostram que o país vive um dos momentos mais relevantes de enfrentamento à chamada “economia do crime”, mas o avanço precisa ser acompanhado de fiscalização permanente, fortalecimento regulatório e novas mudanças legislativas.

Participaram também do seminário Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP); Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; e Maria Rosa Guimarães Loula, secretária nacional de Justiça, entre outras autoridades.

Emerson Kapaz participou do painel ‘Fraudes no setor de combustíveis: adulteração, evasão fiscal e crime organizado’, e chamou atenção para o crescimento da infiltração do crime organizado na cadeia de suprimentos de derivados de petróleo e na revenda de combustíveis. Segundo o executivo, facções criminosas vêm utilizando postos de gasolina e distribuidoras irregulares como ferramentas de fachada para lavar dinheiro obtido em atividades ilícitas, enfraquecendo a concorrência leal.

“Infelizmente, o crime organizado atua de forma dinâmica em quase 20 setores da economia. O que a gente percebe é que essa economia do crime é capaz de gerar cerca de R$ 450 bilhões e não está minimamente preocupada em seguir leis… no caso de combustíveis, as fraudes vão do poço ao posto. O crime entrou na cadeia produtiva longa, e começou a se sofisticar, com um faturamento de quase R$ 1 trilhão por ano, com arrecadação de quase R$ 240 bilhões”, apontou.

Importância das grandes operações

O presidente do ICL destacou que no dia 28 de agosto faz um ano que a Operação Carbono Oculto foi realizada. Segundo ele, não houve, na história de nosso país, uma iniciativa como a Carbono Oculto, estabelecendo uma integração fantástica entre todos os segmentos e elos de investigação, incluindo o setor privado. Para Kapaz, é de extrema importância a continuidade das operações para desmotivar a volta do crime organizado no segmento.

“Foram mais de 1500 homens na rua, mais de 320 buscas e apreensões, e deu frutos. Já tivemos uma sequência importantíssima, Operação Tanque, Quasar, Poço de Lobato, essa última representou outro marco, liderada pelos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Essa operação conseguiu asfixiar uma das empresas que administrava o governo do Rio de Janeiro por dentro. Uma empresa de combustível que tinha uma infiltração e nada acontecia com ela, porque tinha gente espalhada na área ambiental, na Receita…”, frisou.

O enfrentamento do crime organizado já mostra resultados na prática. De acordo com Kapaz, o Rio de Janeiro saiu da ilegalidade para a legalidade, transformando o Estado em um dos maiores arrecadadores em combustíveis do Brasil.

“De janeiro a setembro desse ano, foram 50% a mais de arrecadação em combustíveis. São Paulo também arrecadou mais, depois da iniciativa de solidariedade tributária, colocando nove distribuidoras de São Paulo em regime especial, congêneres da Refit”, explicou.

Para Kapaz, o setor de combustíveis está vivendo um dos seus melhores momentos. “É um exemplo nítido de que a integração dos setores públicos e privado dá resultado no enfrentamento do crime organizado”, completou.

Veja o vídeo completo do seminário Mercado Ilegal:

Foto: Wenderson Araújo/Valor

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