Operação Unha e Carne: ex-prefeito de Belford Roxo e ex-secretário da Polícia Civil são alvos da PF; grupo movimentou R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis
Publicado em 07/07/2026 por Jean SouzaNesta terça-feira (7/7), a Polícia Federal deflagrou a 6ª fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como plataforma de lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos.
Na ação, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense, além de medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, são alvos de buscas.
Outro alvo é o ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que agia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No ano seguinte, ele foi condenado e preso sob acusação de homicídio e associação criminosa.
Também sofreu buscas o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, que integrou a equipe do ex-secretário Marcus Amim em diversas delegacias. Dados da PF mostram que ele é dono, por meio de laranjas, de uma rede de postos de gasolina. Entre empresas ativas e inativas, mais de 80 estão ligadas a parentes do policial. As informações sobre os nomes divulgados como alvos de buscas são do site g1, que tentou contato com as defesas, mas não obteve retorno.
O que diz a Polícia Federal
De acordo com as investigações da PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à instituição.
Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, bem como por outros crimes que poderão surgir no decorrer das investigações.
A ação está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa a desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
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