Combate ao crime organizado no setor de combustíveis: Operação Carbono Oculto chega à terceira fase em sete estados. ICL emite nota
Publicado em 24/09/2026 por RedaçãoGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, deflagrou na manhã desta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, denominada Crédito Oculto
Agentes estão nas ruas para cumprir 27 mandados de busca e apreensão em sete estados. A ação aprofunda uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
O Instituto Combustível Legal (ICL) emitiu nota em apoio à operação em curso.
“Uma iniciativa essencial para aprofundar as investigações sobre a possível conexão entre estruturas do crime organizado, agentes econômicos e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial e lavagem de capitais. Para o Instituto, ações integradas como essa são fundamentais para proteger a concorrência, a arrecadação e a integridade do mercado de combustíveis, além de promover a Integração das operações para acompanhar os fluxos financeiros que são essenciais para desmantelar ações estruturadas do crime organizado”, afirma nota.
Foto: Divulgação
Confira íntegra da nota
ICL defende avanço da Operação Crédito Oculto para aprofundar combate à infiltração do crime organizado na economia
O Instituto Combustível Legal (ICL) considera a Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24/9) como desdobramento da Operação Carbono Oculto, uma iniciativa essencial para aprofundar as investigações sobre a possível conexão entre estruturas do crime organizado, agentes econômicos e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial e lavagem de capitais. Para o Instituto, ações integradas como essa são fundamentais para proteger a concorrência, a arrecadação e a integridade do mercado de combustíveis, além de promover a Integração das operações para acompanhar os fluxos financeiros que são essenciais para desmantelar ações estruturadas do crime organizado.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, a operação reúne o Ministério Público de São Paulo, por meio do GAECO, Receita Federal, Secretaria da Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil, com apoio de GAECOs de outros seis estados. Estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão em 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas. A apuração busca esclarecer indícios de uso de estruturas financeiras complexas para ocultar beneficiários e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Entre os elementos apontados na investigação estão uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios de uma empresa sucroalcooleira e o repasse de R$ 100 milhões que, de acordo com os investigadores, teria percorrido diferentes contas e estruturas financeiras antes de ser direcionado ao negócio envolvendo a distribuidora. As autoridades também informaram que uma empresa financeira utilizada na estrutura investigada movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Fintechs, fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada aparecem nas apurações como instrumentos que teriam sido empregados para fragmentar fluxos financeiros, distanciar a origem dos recursos e dificultar a identificação dos beneficiários finais.
“Operações como a Crédito Oculto são muito importantes para continuar aprofundando as conexões que ainda existem entre estruturas do crime organizado e a economia formal. É fundamental avançar sobre os mecanismos financeiros e societários que podem dar sustentação a essas organizações, porque o enfrentamento ao crime no setor de combustíveis precisa alcançar não apenas a ponta da atividade ilegal, mas também quem estrutura, financia e dá aparência de legalidade a esses recursos”, afirma Emerson Kapaz, presidente do ICL.
O ICL reforça que o aprofundamento das investigações, com respeito ao devido processo legal e à apuração individualizada das responsabilidades, é decisivo para impedir que recursos de origem ilícita sejam incorporados à economia formal e utilizados para distorcer a concorrência. A integração entre órgãos de investigação, fiscalização e inteligência financeira é, na avaliação do Instituto, um dos caminhos mais eficazes para desarticular estruturas criminosas complexas e fortalecer um ambiente de negócios mais seguro, transparente e competitivo no setor de combustíveis.